Objetivo

Propor e discutir as melhores técnicas para aumentar a eficiência no uso de recursos energéticos por Frotistas e Embarcadores contratantes de frete, visando reduzir custos nos transportes de cargas e de passageiros e emissões de gases ambientalmente nocivos.

Em consonância com a Política Nacional de Mudanças Climáticas – PNMC (Lei 12.187 de 29/12/2009), que incentiva a economia de baixo carbono, e com a Política Energética Nacional (Lei 12.490, de 16/09/de 2011), o objetivo do Seminário Frotas & Fretes Verdes 2015 é propor um transporte cada vez mais sustentável.

Os principais focos do evento são o emprego de práticas inovadoras e procedimentos economicamente atrativos junto aos frotistas na busca de uma logística sustentável, comprometida com a redução de emissões e custos, e o de conscientizar os embarcadores para a contratação de empresas socialmente responsáveis e comprometidas com a preservação do meio ambiente.

O evento

Em 2012, a partir do alto interesse demonstrado pelos Correios e pelo BIRD para que o Brasil estimulasse uma maior eficiência nos transportes, foi idealizado, com o importante apoio do CONPET e de diversas empresas do segmento, o primeiro Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes. Com o sucesso da primeira edição, o seminário se tornou anual, tendo sido expandido nos anos de 2013 e 2014, com a inclusão de novos modais e novas abordagens no ciclo logístico da produção.

A ultima edição em 2014 contou com a participação de lideranças nacionais e internacionais do setor, afirmando-se como um ambiente muito importante para a discussão de inovações tecnológicas, necessidade de reformas estruturais e desenvolvimento de novas políticas públicas e empresariais para o setor de transportes nacional. As discussões geraram um Relatório Final que sintetizou o cenário apontado pelos participantes para alcançar uma logística mais sustentável no Brasil, o qual foi encaminhado para as principais lideranças participantes do evento, e que servirá de ponto de partida para a realização de um evento ainda mais assertivo em 2015.

O FFV 2015 seguirá na linha dos resultados apontados pela edição de 2014, com o objetivo de viabilizar as oportunidades discutidas, e mitigar as possíveis ameaças que ainda atrasam o setor no Brasil. Entre as oportunidades encontradas, destaca-se a possibilidade de se estabelecer novos incentivos para um transporte mais sustentável, seja no que tange o setor público, com políticas fiscais favoráveis à renovação das frotas e à escolha de tecnologias menos poluentes, seja no setor privado, fazendo com que os embarcadores busquem cada vez mais os fornecedores que tenham bons indicadores de desempenho ambiental.

Essas oportunidades encontram barreiras para serem colocadas em prática no Brasil, como, por exemplo, uma matriz energética que não favorece combustíveis renováveis, impostos menores sobre caminhões antigos e que poluem mais, e necessidade de redução máxima de custos logísticos pelas empresas, resultando em uma priorização do preço cobrado pelos frotistas em detrimento dos benefícios socioambientais.

O seminário internacional Frotas & Fretes Verdes 2015 buscará reunir renomados especialistas e lideranças do setor para que sejam discutidas soluções para essas ameaças, e para que, assim, o cenário seja mais favorável em um futuro próximo para que as oportunidades encontradas dentro do segmento sejam alcançadas.

 

Pano de Fundo

Não é novidade a preocupação mundial com relação ao meio ambiente e os caminhos tomados pelo desenvolvimento dos países nos últimos anos. O cenário é de uma população mundial que triplicou nos últimos 65 anos, chegando a 7,2 bilhões de pessoas em 2014, em um uma curva ascendente de crescimento. Esse aumento populacional tem como consequência uma maior demanda por recursos, principalmente recursos energéticos, e vai de encontro à necessidade de reduzir os impactos da produção industrial no meio ambiente, o que vem levando as principais lideranças do mundo a repensar o desenvolvimento para um caminho sustentável.

Para ilustrar o tamanho do esforço necessário para diminuir o impacto ambiental das atividades no mundo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) fez um estudo apontando que é preciso reduzir entre 8 e 10 gigatoneladas de emissões de CO2 até 2020, além do que os países já estão fazendo, para conter o aumento da temperatura em 2°C. Como referência, os Estados Unidos sozinhos emitem 7 gigatoneladas de CO2 anualmente. Para piorar essa situação, os resultados das convenções mundiais do clima, em especial a COP 20 realizada no final de 2014 no Peru, apontam para um interminável debate de responsabilidades entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, em um jogo de culpas que não leva a resultados práticos no combate ao aquecimento global.

Tendo em vista o conturbado cenário mundial, a melhor solução é voltar os olhos aos problemas locais, e ajudar com atitudes focadas para o desenvolvimento sustentável. No Brasil, por exemplo, o transporte rodoviário, que de todos os modais é o que mais consome energia por tonelada, é o meio mais utilizado no transporte de cargas e pessoas. Hoje a matriz brasileira de transportes tem 61% do seu total nas mãos do modal rodoviário, o que compromete diretamente as metas de emissão para o país. O setor é o terceiro maior emissor de GEE no país, justificando a necessidade de intensas discussões sobre soluções para atingirmos uma logística sustentável.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, não é possível pensar em eficiência sustentável de transportes sem a participação ativa do setor público. Alguns dados do transporte brasileiro nos dão pistas sobre a atual situação do setor, como o fato de apenas 12% das nossas estradas serem pavimentadas, uma frota atual que tem em média 18 anos, um déficit de motoristas qualificados de cerca 120 mil profissionais, entre outros indicadores que mostram que o governo precisa atuar diretamente com incentivos e reformas no segmento, e que comprovam a necessidade de um maior diálogo com o setor privado.

A iniciativa privada, e não apenas o setor público, também não consegue ver a importância que o meio ambiente tem e a contribuição que o setor de transportes pode dar. Segundo o Carbon Disclosure Project, mais de 70% dos fornecedores das empresas indicam risco atual ou futuro relacionado a mudanças climáticas, que podem afetar os negócios ou a receita de forma significativa. Além disso, o mercado consumidor está cada vez mais exigente, e a sustentabilidade é sem dúvidas um dos valores de compra mais importantes na decisão do cliente.

A intenção do FFV 2015, portanto, é proporcionar um espaço para esse dialogo entre os setores, e servir como um fórum de discussões que colabore ativamente na busca pelas melhores práticas empresariais relacionadas a um transporte sustentável, tanto pelos Frotistas, responsáveis diretos pela operação dos veículos, quanto para os Embarcadores, que contratam essas empresas e são julgados pelo mercado através dos fornecedores escolhidos.